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COMO SE FORA UM CONTO, é o título de pequenos contos que ao longo do tempo fui escrevendo.
Na sua maioria foram já publicados em jornais e em blogues.
Alguns são inéditos.

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quarta-feira, 7 de março de 2012

NO BAR, DEPOIS DO JANTAR

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COMO SE FORA UM CONTO
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Entrou na sala do bar como se ele lhe pertencesse. Olhar altivo e fixo no fundo da sala, porte solene, pisar calmo e senhora de si.
Os olhares dos presentes que estavam entretidos com um pouco de tudo, mudaram, rodaram e poisaram nela, correndo-a de alto a baixo e pararam nos sapatos bicudos e de bom corte e boa pele, subiram de novo, agora muito devagar, abrandando na zona dos joelhos que a saia travada deixava a descoberto, subiram até às coxas, onde voltaram a parar, e continuaram a caminhada, lenta e demoradamente.
Enquanto isso, na sala imperava um silêncio profundo e só se ouvia o toc toc toc compassado, provocado pelo bater firme dos tacões, no chão de mármore.
Os olhares lascivos e os de inveja, dos homens e das mulheres presentes não só lhe poisavam no corpo como lhe seguiam o percurso. As pernas, as ancas, a cintura, e o caminho para os seios altivos e fortes, disfarçados pela blusa branca, só estranhamente não sentiam o peso que lhes caía em cima. O colo, o pescoço alto, os cabelos compridos que emolduravam uma cara linda, e os olhos de um castanho profundo, também nada sentiam. Senhora de si, passou por entre todos e foi sentar-se num banco do fundo do balcão. 
Mesmo encostada à parede, longe dos olhares dos basbaques, estava uma outra mulher, bela como a primeira, que a aguardava. Um beijo, outro, um olhar comprido e uma mão na outra.
À volta delas o pouco ruído da sala desapareceu por completo e por breves instantes. Os olhares por momentos atentos à passagem da desconhecida, desviaram a atenção para o que os entretinha antes e os sons normais da sala, regressaram.
Só o olhar de uma outra mulher, ainda muito nova, que se sentava sozinha numa mesa junto à janela, continuou presa ao par que agora estava junto, com uma lágrima a querer saltar dos seus olhos verdes, cor da água.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A EPOPEIA DAS FRANCESINHAS NAS INVASÕES FRANCESAS

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COMO SE FORA UM CONTO
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I
Vivia-se no ano da graça de 1809 e o mês de Junho.
Soult, General e mais tarde Marechal, regressava a casa triste, acabrunhado e abalado com a derrota. A bem da verdade não tinham sido os Portugueses a vencê-lo, tinham sido os Ingleses, mas isso era ainda uma desonra maior. Perdera fama, prestígio e muita gente nesta campanha. E só fora ‘dono’ da cidade pouco mais de dois meses. E, diga-se, de uma cidade destroçada pela recente tragédia da Ponte das Barcas, de que só ele tinha sido o responsável. Tinha sido muito pouco tempo para que a cidade lhe tivesse perdoado ou pelo menos passado a ignorar a sua responsabilidade de invasor. Só tinha podido andar pela cidade nas alturas em que estivesse escoltado pelos seus mais próximos guardas pessoais.
Era de noite e o General tinha fome.